Série Capivaras

A Série Capivaras é uma pesquisa pictórica em permanente construção que toma a capivara como personagem central para investigar as relações entre o ser humano, a natureza e a sociedade contemporânea. Mais do que representar um animal amplamente reconhecido no imaginário brasileiro, a série utiliza sua imagem como metáfora. Assim, reflete sobre as transformações da paisagem, os impactos da urbanização e as complexas formas de convivência entre diferentes espécies em um mundo cada vez mais marcado pela ação humana.
Pertencimento, território e coexistência
O ponto de partida dessa investigação surge da observação de uma realidade cada vez mais frequente nas cidades brasileiras: a presença de capivaras em parques, margens de rios, áreas de preservação e espaços urbanos. Dessa forma, essa convivência suscita uma questão que atravessa toda a série: quem invade o espaço de quem?
A resposta não é oferecida de forma direta. Em vez disso, cada pintura propõe um campo de diálogo e convida o observador a construir suas próprias interpretações sobre pertencimento, território, desenvolvimento e responsabilidade ambiental.
Arte contemporânea e ecocrítica
Inserida no contexto da arte contemporânea, a série aproxima-se das discussões da ecocrítica. Nessa perspectiva, compreende a produção artística como um espaço de reflexão sobre as relações entre cultura e natureza.
As obras evidenciam que a expansão das cidades modifica não apenas a paisagem, mas também o comportamento humano e a dinâmica dos demais seres vivos. Por isso, a capivara torna-se símbolo de adaptação, resistência e coexistência em ambientes transformados.
A antropomorfização como linguagem poética
Como recurso poético e narrativo, utilizo a antropomorfização para atribuir às capivaras comportamentos, expressões, gestos e situações próprias do universo humano. Desse modo, elas ocupam diferentes papéis sociais, transitam por cenários urbanos, dialogam com acontecimentos cotidianos, revisitam obras da história da arte e interagem com símbolos da cultura popular. Além disso, muitas vezes assumem características que despertam identificação imediata no público.
Esse procedimento não busca humanizar o animal. Ao contrário, procura criar um espelho da própria condição humana, permitindo que o espectador reconheça em cada personagem aspectos da vida contemporânea.
O riso como linguagem crítica
O humor, a ironia e o caráter lúdico desempenham papel fundamental nessa construção. Inicialmente, despertam aproximação, curiosidade e afeto. Em seguida, revelam camadas mais profundas de significado e transformam situações aparentemente divertidas em convites à reflexão.
Assim, ao sorrir diante de uma capivara vestida como autoridade, inserida em uma cena cotidiana ou ocupando espaços inesperados, o público é levado a questionar valores, hábitos e formas de convivência estabelecidas pela sociedade.
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